Como Eu Me Transformei de Funcionário para Empreendedor

Aurélien Osenda

Aurélien Osenda

Publicado dia 23/10/2019

“Só o empreendedorismo pode salvar o mundo”. Durante quase três anos, todo dia ao chegar no trabalho, eu passava na frente de um banner gigante com essa frase dentro da empresa onde eu trabalhava. Muitas vezes eu pensei: O que realmente significa o empreendedorismo? O que é ser empreendedor? 

O que me levou a empreender

A ideia de empreender ainda era distante de mim. Mas o propósito desse banner era claro:  criar uma cultura de empresa que valorizasse a iniciativa individual e uma certa independência do funcionário. Através dessa mensagem, a empresa já deixava claro que quem trabalhava lá precisava se responsabilizar, fazer as coisas acontecerem e achar soluções no lugar de se desesperar por problemas. “Do jeito que o empreendedor faz.”

A ideia de empreender ainda não tinha florescido na minha cabeça naquele momento, mas eu me apropriei desses valores e os apliquei no meu trabalho. Sabia que, para me tornar um profissional competente, eu precisava:

  • Adquirir competências na minha própria área.
  • Entender a relação entre as diversas áreas da empresa para saber solucionar de forma quase imediata qualquer problema que surgisse.
  • Nunca deixar de considerar a estrutura empresarial como um ecossistema, onde os times e os funcionários são ligados, para não considerar o meu problema como mais importante do que os outros.

Conforme ia crescendo no meu trabalho, entregando resultado e ficando mais seguro, comecei a sentir uma necessidade ligada àquela evolução: sair da minha zona de conforto

Queria fazer coisas novas, adquirir mais competências e me tornar um profissional completo, mesmo que tivesse que passar por aquele sentimento de pânico. No momento, sem perceber, eu já estava me tornando um empreendedor.

A minha jornada para empreendedorismo

comfort-zone

Passei por pânicos espontâneos quando comecei a tocar coisas que não conhecia. Muitas vezes, quando não se sabe por onde começar, o primeiro reflexo é de não fazer nada. Mas existem fontes infinitas de aprendizado para quem procura: publicações científicas, artigos, análises, vídeos, podcasts, entrevistas, tutoriais, open-knowledge, etc.  

O empreendedor é aquele que acha um jeito de navegar constantemente entre a zona de pânico e a zona de aprendizado, e nunca, por motivo nenhum, vai se instalar na zona de conforto. Se chegar nela, estará na hora de lançar um novo produto, negócio ou projeto, e de sair do círculo para entrar na zona de pânico de novo.

Resolvi sair de uma empresa que amava, com gente que eu respeitava, para seguir a minha intuição. Entendi rapidamente que não precisava de “ideia” ou de “sonho” para seguir. No momento inicial da jornada empreendedora, o importante é se conhecer o suficiente para saber o que se pode fazer. 

Se autoconhecer é essencial

Para conseguir este autoconhecimento, os textos da Saras Sarasvathy (“What makes entrepreneurs entrepreneurial?”, University of Virginia, 2008) me ajudaram muito para me fazer as 3 perguntas que todo empreendedor deve se fazer no início da  jornada: 

  • Quem sou eu?
  • O que eu sei?
  • Quem conheço?  

Aplicando esse pensamento “efetual”, consegui imaginar vários caminhos que me correspondiam. Ao contrário de definir uma ideia inicial para executar, enxerguei todas as possibilidades que estavam na minha frente. 

Cabe ressaltar que tive a sorte de passar por esse momento com um amigo, empreendedor experiente e profissional altamente competente, que, sem muito debate, se tornou meu sócio.  

Através da nossa vontade de ajudar pessoas, de gerar impacto positivo para a sociedade e de estruturar o conhecimento empreendedor, começamos trabalhando como consultores com empreendedores iniciantes para tocar projetos de desenvolvimento de negócios. Aos poucos, resolvemos criar a Escola Efetuação para ajudar todos os empreendedores que desejam adquirir a confiança e as ferramentas operacionais para desenvolver novos negócios.

Sempre faça as perguntas certas

Ainda não sei onde acaba a jornada do empreendedor, mas posso falar com clareza por onde ela começa: fazendo as perguntas certas. Não sobre negócio, não sobre objetivo, mas sobre você mesmo

Dessa clareza interior vai surgir um projeto que te corresponde, que te dá vontade de executar, de acumular conhecimento. Um projeto que te traz um propósito.

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